segunda-feira, março 22, 2010

Exemplos de Intertextualidade

Vejamos alguns exemplos de Intertextualidade:

1) Slogans:
A rede de quitandas "hortifruti", com slogans lançados pela empresa, numa estratégia bastante criativa e jocosa para chamar a atenção do público-alvo. Essa intertextualidade se dá através da Fonética ou seja, do som produzido quando da pronúcia. Para exemplificar melhor, não teria o mesmo som dizendo "A outra maçã" com "A outra face".
Os mesmos foram retirados do site da empresa de propaganda "MPPublicidade".
Fonte: saiba mais!


"A incrível rúcula"(por "Incrível Hulk")
"Kiwi Bill"(por "Kill Bill")
"A outra alface"(por "A outra face")
"E o coentro levou"(por "E o vento levou")
"Beringela indiscreta"(por "Janela Indiscreta")
"O quiabo veste Prada"(por "O diabo veste Prada")
"O limão impossível"(por "Missão impossível")
"A hortaliça rebelde"(por "A noviça rebelde")
"9 1/2 cebolas de amor"(por "9 1/2 semanas de amor")


2) Veja a seguir como Ricardo Azevedo brinca com o famoso poema Quadrilha, de Carlos Drummond de Andrade:

Quadrilha da sujeira
Quadrilha
João joga um palitinho de
sorvete na
rua de Tereza que joga uma
latinha de
refrigerante na rua de
Raimundo que
joga um saquinho plástico na
rua de
Joaquim que joga uma
garrafinha
velha na rua de Lili.
Lili joga um pedacinho de
isopor na
rua de João que joga uma
embalagenzinha
de não sei o quê na rua de
Tereza que
joga um lencinho de papel na
rua de
Raimundo que joga uma
tampinha de
refrigerante na rua de
Joaquim que joga
um papelzinho de bala na rua
de J. Pinto
Fernanders que ainda nem
tinha
entrado na história.
(Ricardo Azevedo)
João amava Tereza que
amava Raimundo
que amava Maria que amava
Joaquim que amava Lili que
não amava ninguém.
João foi para os Estados
Unidos, Tereza para o
convento, Raimundo morreu
de desastre, Maria ficou para
tia, Joaquim suicidou-se e Lili
casou-se com J. Pinto
Fernandes que não tinha
entrado na história.
(Carlos Drummond de Andrade)

Enquanto o texto de Drummond inspirado pela dança da Quadrilha das Festas Juninas, onde os casais trocam de pares a cada passo, o texto de Ricardo Azevedo critica o mau hábito de jogar lixo na rua e mostra como as pessoas prejudicam as outras. Esse é mais um formato de Intertextualidade pela troca sucessiva de pessoas dentro dos dois textos.
Fonte: saiba mais!


3) A intertextualidade também é um recurso utilizado pelas crônicas de jornal. Veja como José Roberto Toreiro utiliza uma frase famosa dita por um personagem de Shakespeare. A frase quer dizer, em poucas palavras, que há muita coisa na vida que não compreendemos.

Deuses do futebol: Urucubaco
Shakespeare
Olímpico leitor, divinal
leitora, há mais coisas entre
o céu dos deuses e a terra
do futebol do que sonha a
nossa vã crônica esportiva:
Determinadas situações do
jogo e certas fases pelas
quais os times passam não
são, como pensam alguns,
obra do acaso. Ao contrário,
são uma manifestação da
vontade de seres superiores,
seres que controlam a nossa
vida desde o dia em que o
Caos gerou a Noite.
(trecho de crônica de José Roberto Torero)
"Há mais coisas entre o
céu e a terra do que supõe
a nossa vã filosofia".
Fonte: saiba mais!

Na literatura, e até mesmo nas artes, a intertextualidade é persistente. Sabemos que todo texto, seja ele literário ou não, é oriundo de outro, seja direta ou indiretamente. Qualquer texto que se refere a assuntos abordados em outros textos é exemplo de intertextualidade.


4) A intertextualidade está presente também em outras áreas, como na pintura, veja as várias versões da famosa pintura de Leonardo da Vinci, Mona Lisa.


Mona Lisa, Leonardo da Vinci. Óleo sobre tela, 1503.


Mona Lisa, de Marcel Duchamp, 1919.

A Mona Lisa de bigodes, de Marcel (1887-1968), faz parte de uma retrospectiva sobre o dadaísmo, que aconteceu de 05/10/2005 a 09/01/2006, no centro Pampidou, em Paris. Nascido em 1916 em Zurique, durante a 1ª Guerra Mundial, o movimento dadaísta negava todas as tradições sociais e artísticas, tinha como base o anarquismo niilista e o slogan "a destruição também é criação". Duchamp fazia assim chamadas "interferências". Pintou bigodes na Mona Lisa, para demonstrar seu desprezo pela arte tradicional.




Mona Lisa, Fernando Botero, 1978.

Botero se define como o oposto dos outros artistas. "Não sou cubista, impressionista, surrealista ou expressionista. Sou o que sou". Para chegar à técnica que alguns denominam como "gordismo", teve que estudar os grandes mestres da pintura, o que lhe permitiu ter elementos para criar a sua própria essência e impor esse selo de originalidade que lhe deu glória.



Mona Lisa, Intertextualidade na propaganda.

Esse enunciado sugere ao leitor que o produto anunciado deixa a roupa bem macia e perfumada, ou seja, uma verdadeira obra-prima (se referindo ao quadro de Da Vinci).
Fonte: saiba mais!

10 comentários:

Rafael Eduardo disse...

haaaaa, mas vejam só.... adorei os exemplo.... o que mais achei engração foi o exemplo que lembra a propagando da Bombril.
Aquele ator é um sarro.
Bem legal as ilustrações do seu blog.
Parabens!

Anônimo disse...

pooxa, eu axo que sou o ZUBUMAFU

By: Igor B.

Ediandra disse...

As ilustrações são belíssimas e acima de tudo criativas, ressaltam bem a mensagem de "ler o que não está escrito". Votos para a "Mona lisa" de Botero representando o "Gordismo"!

Anônimo disse...

Jolite, entendo que nossa percepção intertextos está intimamente relacionada com as leituras que temos, em nossa caminhada de leitores.
O texto amplia-se à medida que temos referências de outros textos. A importância da LEITURA reside, não apenas, mas, sobretudo, nesse aspecto.

Anônimo disse...

Tecendo a manhã João Cabral de Melo Neto
"Um galo sozinho não tece uma manhã;
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito que um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos."
(João Cabral de Melo Neto - Tecendo a manhã)

O poema de JOÃO CABRAL DE MELO NETO materializa, até certo ponto, a possibilidade da riqueza da costura dos textos.

paula padua disse...

amei os exemplos, torna mais facil o entendimento do que realmente é a Intertextualidade. O mais fantástico é saber que todas as interpretaçoes que fazemos de qualquer assunto ou como entendemos essas intertextualidades depende do conhecimento de mundo cada ser e que, em muitos casos, uma figura como modificada, como essa da nossa bela Gioconda, não faria sentido nenhum para o leitor que não a conhecesse ou não conseguisse fazer a ligação entre a obra real e uma de suas modificaçoes. a comicidade da situaçao estaria perdida.
o certo é que, vivemos um intertexto partindo do principio de que não existe nada novo, que tudo é "reciclado", renovado, modificado e reutilizado.

Anônimo disse...

Amei, simplesmente.

Anônimo disse...

gostei ta de parabens

Anônimo disse...

Ai nem me ajudou tanta assim...Mais tem poucos exemplos,ai fica dificil

Anônimo disse...

Muito interessante e coeso.

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